domingo, 6 de novembro de 2011

Minha Experiência com a Dança Flamenca


Por Mara Regina Souza

Gostaria de compartilhar algumas reflexões que surgiram na interconexão das minhas experiências com a Dança Flamenca e a Arteterapia.

Ao término das primeiras cinco décadas de vida, dei-me conta de que precisava eleger novas metas e objetivos, pois aquelas que nortearam minhas atividades naquele período, relacionadas com a carreira profissional e a criação dos filhos, já haviam sido atingidas. Precisava de um novo projeto, não mais pautado em obrigações ligadas à sobrevivência e maternidade, no qual o prazer ocupasse a posição central.

Procurei nos arquivos da memória entre as experiências vividas com prazer e alegria alguma que pudesse servir de subsídio para o novo projeto. Deparei-me com a lembrança do aprendizado dos primeiros passos da Dança Flamenca, e aí não tive dúvidas da escolha a ser feita.

Optei por dar continuidade a esse aprendizado, entendendo que nessa escolha também estava uma possibilidade de continuar envelhecendo sem ficar velha, uma vez que a dança flamenca requer condicionamento físico, pernas com músculos fortes, atenção, concentração, equilíbrio corporal , coordenação motora e memória; funções cuja tendência é ir decaindo na medida que os anos vão passando e a idade avançando.

Passados seis anos de investimento na prática da dança, é possível constatar os efeitos no que se refere a “inverter o sentido natural” das perdas e, em alguns aspectos, usufruir dos ganhos. Tomo como exemplo o fato de necessitar de músculos fortes e condicionamento físico como motivação para manter a prática regular da musculação; ter agilidade é condição para que o peso corporal não sofra grandes variações, o que serve de incentivo para cuidar da alimentação e perseverar na atividade física. Em relação à memória, ela se mantém sem grandes perdas, talvez porque o fato de estar praticando uma dança que não permite a automatização dos movimentos colabore para que novos circuitos cerebrais estejam continuamente sendo formados.

É preciso mencionar que os ganhos vão além do físico: perpassam o psicológico com aumento da autoestima e o social pelas oportunidades da convivência em grupo. A dança flamenca também pode motivar o surgimento de novos desejos, como aprender espanhol para entender o que se canta e viajar para conhecer o berço do Flamenco na região de Andaluzia, na Espanha.

Nesta perspectiva, é possível evidenciar a função terapêutica implícita na Arte Flamenca.

2 comentários:

  1. Que bela experiência...

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  2. Mara, seu texto é perfeito, pois consegue ser ao mesmo tempo conciso e abrangente, nos permitindo perceber a força da dança flamenca com todo o seu poder! e nos anima, apesar da idade ou sobretudo, por isso mesmo, a investir cada vez mais nessa dança que sendo terapeutica, ainda nos proporciona movimentos sensuais e precisos que atraem a todos.
    Suraya Helayel

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